Ela veio andando pelo corredor e eu entrei no elevador correndo, pra não ter companhia na subida. Ela se apressou, entrou no elevador e meio ofegante apertou o botão do quinto andar. Os olhos dela eram lindos, azuis que nem o céu. Falava ou não um oi? Ela sorriu. Meu Deus, aquele sorriso me deixou sem fôlego. Respiro ou retribuo o sorriso? Ela virou os olhos enigmáticos pro meu lado e perguntou o que eu estava ouvindo. Aerosmith, respondi. Será que ela gostava de Aerosmith? O elevador parou. Ela saiu e disse tchau.
A partir daquele dia, eu pensava nela o tempo todo. Tenho que pagar aquela conta... Ah, aqueles olhos... A água do miojo já está fervendo... Nunca vi sorriso mais lindo. Fui até o apartamento dela. Ela abriu a porta e me olhou com cara de interrogação. Será que se lembraria de mim? Ela sorriu e disse: Oi Aerosmith. Fiquei sem reação. Ela deve ter percebido. Céus, como sou burro. E sabe o pior? Ela percebeu. Quer dizer, eu não sei se ela percebeu, mas como não veria o pânico na minha cara? Eu disse algo que nem lembro mais. As palavras simplesmente jorravam pra fora da minha boca. Ela pareceu não entender. Gritei: "Eu não penso em mais nada senão você" e sai correndo. Idiota, como sou idiota.
Demorei uma semana para vê-la de novo. Os nossos olhares se encontraram e ela fingiu não me ver. Me odeia, me acha um ridículo, pensei. Não sei o que se passou na cabeça dela naquele momento. Corri atrás dela. Peguei seu rosto em minhas mãos e o virei. Senti um arrepio percorrer minha espinha enquanto pensava em beijá-la. Levei meus lábios em direção aos dela e quando pude sentir sua respiração meio ofegante senti algo na minha face direita. Ela havia me dado um tapa. Gritou comigo, mas não identifiquei o que ela dizia. Senti meu coração bater de um jeito dolorido, pesado. Ela foi embora. Cada vez que escutava seu salto fino bater no assoalho sentia meu estômago embrulhar mais e mais.
Soube que ela se mudou daqui. Meu pensamento ainda vaga até ela, mas eu o obrigo a parar. Minha mente sabe me torturar. Preciso arrumar outra mulher, outra que prenda meu pensamento. O problema é que eu não quero. Só quero aqueles olhos azuis que ficam escondidos por trás do cabelo preto.
(só mais um conto que fala de amor)
Nos intervalos eu sento do lado de uma escritora, e não, eu não sabia.
ResponderExcluirVocê escreve muito bem, Bruna. Adorei o texto. :)
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